General

ADM

Jun 23 2003

//Pese a que los artículos que uds. reciben son en castellano, debido a su interés, excepcionalmente trasmitimos este artículo en portugués, publicado hoy por «Diario de Noticias» de Lisboa, firmado por el general Antonio Loureiro dos Santos, ex comandante en jefe del Ejército portugués, cuya figura siempre se distinguió por sus opciones en favor de EEUU y de la NATO//

As armas de destruição maciça

Loureiro dos Santos

Porquê o ataque ao Iraque nas condições em que foi feito? Desistiu-se de obter provas concretas da existência de armas de destruição maciça (ADM), apenas porque não era possível manter por mais tempo uma pressão militar credível sobre o regime iraquiano para o obrigar a cooperar aberta e completamente com os inspectores da ONU? E porque a continuação das inspecções era considerada desnecessária, porquanto as informações disposição dos EUA e do Reino Unido eram suficientemente credíveis para garantir uma elevada probabilidade de as ADM existirem?

Ou porque as inspecções mostrariam que as informações disponíveis eram inconsistentes e empoladas, e era indispensável precipitar as operações, utilizando o motivo «armas de destruição maciça», tal como as «ligações ao terrorismo da al-Qaeda» (ainda não provadas), para mobilizar o conjunto da Administração e a opinião pública norte-americana e alguns aliados, no apoio invasão do Iraque? E porque, na realidade, o ataque visaria outros objectivos estratégicos, entre os quais a conquista de uma posição central no Médio Oriente, para intimidar os países da região, «democratizá-los», e controlar o abastecimento mundial de petróleo?

Continua a ser difícil responder a esta polémica, que os órgãos de comunicação estão a transmitir a todo o mundo. Dela resultaram, para já, repercussões nas lideranças políticas dos países que apoiaram as operações, com destaque para o Reino Unido e os Estados Unidos, cujos efeitos podem ser verdadeiramente desastrosos.

A primeira observação é que perigos destes apenas são postos s lideranças nas democracias, onde a liberdade de expressão existe, e o escrutínio do poder é permanente e pode levar sua substituição por força dos mecanismos democráticos. Esta situação não teria gravidade, se os países em causa tivessem outros regimes.

A segunda, é que todo o discurso dos media, ou de parte deles, é fortemente modelado pelas mesmas posições ideológicas que separaram os dois campos (pró e a favor) da guerra do Iraque. Este discurso desenvolve-se em duas direcções simultâneas, por vezes difíceis de discernir: por um lado, defendem aquilo que cada um considera a verdade, quer seja favorável ou não s posições tomadas; por outro, tentam influenciar as opiniões públicas, em especial das democracias, através de manobras de informação e de contra-informação, para fazer vingar o respectivo ponto de vista.

Já durante o debate diplomático anterior guerra tinham surgido notícias sobre a inconsistência de algumas das informações disponíveis, e acusações aos líderes americanos e britânicos, por eles exagerarem os dados que os serviços lhes forneciam. Além de se ter descoberto que certos relatórios não passavam de plágio de estudos havia muito feitos, acessíveis na Internet. Os chefes dos inspectores (Blix e Baradai), por seu lado, desmontaram alguns dados apresentados na ONU como credíveis, chegando a crismá-los de «falsificações grosseiras».

Durante a guerra, não apareceram ADM, nem se encontraram vestígios que pudessem constituir provas irrefutáveis de que existiam. O que se manteve depois do final das grandes operações (anunciado por Bush). Apesar de uma equipa militar americana especializada ter efectuado inspecções ( margem da ONU), durante algum tempo. Já foram retomadas as pesquisas das tão ansiadas provas, com cerca de 1400 inspectores americanos, britânicos e australianos (também sem inspectores da ONU), até agora sem êxito, e terminaram as buscas de uma unidade de forças especiais, que efectuava a sua pesquisa coberta desde antes da guerra, com igual resultado.

O clamor dos contra guerra vem em crescendo. Peritos (?) afirmaram que, se houvesse armas químicas, seria provável que fossem encontradas por volta de dois meses depois do final das operações. Vieram a lume excertos de uma entrevista de Wolfowitz revista Vanity Fair, segundo os quais, as ADM teriam sido consideradas como motivo para a guerra, por «razões burocráticas», e insinuado que as reais causas eram de natureza estratégica. O que se repetiu dias depois, com declarações do mesmo responsável, pelas quais o Iraque tinha sido atacado porque, ao contrário da Coreia do Norte, «nadava em petróleo». William Kristol (um dos chefes de fila neoconservadores) saiu em sua defesa na revista Weekly Standard, mas, sendo quem é, foi lido com cepticismo…

Surgem a lume notícias afirmando que, mesmo antes da guerra, tanto Powell como Straw teriam dúvidas sobre a fiabilidade das informações, e Blix denuncia pressões dos americanos data. Recentemente, o gabinete do primeiro-ministro britânico apresentou desculpas por ter manipulado informações dos serviços, gerando a noção de que «o Iraque disporia de ADM susceptíveis de entrarem em acção em 45 minutos», o que confirma as críticas…

Tudo arrasador para as direcções políticas norte-americana e britânica, a quem foram propostos inquéritos a este propósito, nos respectivos Parlamentos (um, já recusado pelos republicanos, primeira, e dois segunda).

No entanto, convém parar um pouco para reflectir.

Primeiro, embora algo ambíguas, as declarações de Wolfowitz que têm sido glosadas pelos media não correspondem inteiramente ao que foi dito. Tem-se verificado muita manipulação.

Segundo, o território iraquiano é enorme (do tamanho da França), as armas podem estar escondidas em áreas recônditas, e ainda há a possibilidade de quadros iraquianos intermédios as virem a denunciar, quando não tiverem dúvidas de que o regime Baas não ressurgirá, do que ainda não estarão certos (e com alguma razão…). Aliás, o próprio Blix declarou, anteriormente s operações, que os inspectores poderiam precisar de meses, se não anos, para as encontrar. O mesmo foi referido pela França, Alemanha e Rússia, que advogaram que isso deveria ser feito.

Terceiro, Wolfowitz, por mais arrogante e messiânico que seja, e é, não seria tão estúpido que dissesse o que lhe foi imputado. Muito menos Bush e Blair.

Parece um tanto forçado e pouco prudente admitir que embarcassem numa aventura destas _ forjar propositadamente uma razão para a guerra _ que, a ser descoberta (e tudo indica que o seria em países democráticos como os seus), demoliria a sua credibilidade, enlamearia o respectivo país, e destruiria, a prazo maior ou menor, a sua carreira.

Mas a verdade é que estão a surgir sinais susceptíveis de desenvolvimentos da maior gravidade.

Das notícias que vão saindo, deduz-se que os serviços de informações estão perturbados.

A mensagem que nos chega é a sua preocupação com a hipótese, que considerarão provável (?), de as ADM nunca virem a ser descobertas, e até, pelo contrário, de virem a ser encontradas provas de que não existiam.

Eventualmente, porque agora têm informações nesse sentido, que reforçam dúvidas anteriores. Só assim se justificam as fugas de informação desses serviços, que procuram demonstrar que a culpa do exagero foi dos políticos.

Vieram a público relatórios, ou partes deles, da Central Intelligence Agency (CIA) e da Defense Intelligence Agency (DIA), onde se pode ler que as informações sobre ADM não eram conclusivas.

Surgiram mesmo outros (presumivelmente da CIA), endossando para a DIA as falhas de informações que se verificaram, e acusando o Pentágono de pretender monopolizar as informações sobre o Iraque, a fim de poder impor uma estratégia preconcebida.

E também estão a sair outras «fugas» tão oportunas como as anteriores, concentrando as culpas na ineficiência dos serviços de informações, o que é um comportamento de «passa culpas», característico dos políticos que não os ouvem.

Mas atenção, neste duelo de acusações mútuas, as vantagens pertencem aos serviços de informações. Esta é a sua especialidade.

A não ser que os políticos os destruam, o que não seria a primeira vez…

A confirmar-se o pior cenário, é legítimo que nos perguntemos sobre o que mais nos estará destinado nesta ordem imperial.

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